Pensar que apenas homens teriam sido os responsáveis pela Reforma da Igreja seria desconsiderar a existência de um Deus Vivo e Atuante na história. O caráter de Lutero, bem como seu esforço e de outros, nada teria sido sem a mão de Deus. Outros fatores, além do caráter destes homens, onde vemos a mão de Deus, são definitivos para a reforma: pequenos movimentos isolados; o renascimento literário que redescobriu textos antigos; o invento da tipografia, por João Gutemberg. Mas, quando olhamos para tudo isto, o que realmente vemos é a providência divina.
A condição em que se encontrava a Igreja despertou um desejo profundo de reforma. Para muitos esta reforma seria só moral, mas para os mais tarde chamados reformadores teria que ser também e, principalmente, doutrinária.
MartinhoLutero (1483-1564) era de tudo religioso, o que foi providencial no processo. Nascido em Eisleben, na Saxônia, foi criado em lar pobre, austero e piedoso de camponeses. Doutor em filosofia, passou a estudar Direito na mais famosa universidade alemã - Erfurt. Entre 1504 e 1505, conforme Funck Brentano, ficou apavorado por uma tempestade com raios e trovões, nas cercanias de Sotterheim, invocou Santa Ana, fazendo-lhe a promessa de se fazer monge caso escapasse vivo.
Dias depois, ainda amedrontado com alguns casos de morte, desejoso de resolver os seus problemas de consciência, numa reunião entre amigos, com a surpresa de todos e o mau humor do pai, despede-se declarando os seus intentos. Na mesma noite o pesado portão do convento Agostiniano de Erfurt range abrindo-se para receber mais um noviço. Como noviço definhava angustiado. Tanto jejuou que emagreceu. Tanto emagreceu que “lhe podiam contar os ossos”, disse um seu biógrafo.
Seu anseio pela salvação em reiteradas procuras, se satisfez ao descobrir uma velha Bíblia na biblioteca do convento; outros dizem que isto se deu ao aflorar-lhe na mente, quando em Roma (1510), o versículo 17 do capítulo 1º da Epístola aos Romanos - “O JUSTO VIVERÁ POR FÉ”. Conta-se que tinha o hábito de colocar o dedo sobre esta passagem e dizer aos seus ouvintes: “EIS A PORTA DO PARAÍSO!”. Indo a Roma em 1511, a negócios de sua Ordem, viu a devassidão da “cidade santa”. “Lá, subindo de joelhos a escada da catedral de São Pedro, repetindo em cada degrau o “Padre Nosso” para livrar do purgatório a alma do pai, sentiu a inutilidade de tais penitências, visto que “o justo viverá pela fé”. Estas palavras deram-lhe a segurança e paz que procurava. Em 1512 se tornou doutor em Teologia. Sendo professor na universidade de Witemberg, passou a expor as Escrituras em suas lições. Este foi o primeiro fato para a reforma.
O segundo: As Indulgências. João Tetzel foi designado para pregar sobre as indulgências. Dramaticamente persuadia as pessoas a comprarem para libertar do purgatório as almas dos parentes, dizendo: “... logo que uma moeda bate no fundo da caixa, a alma solta-se do purgatório e dirige-se para o céu...”
Na véspera do dia de todos os santos, dia em que todos os camponeses viriam a Witemberg para a missa, Lutero afixou as 95 teses contra as indulgências, na porta da Igreja do Castelo de Witemberg. Era 31 de outubro de 1517. Esta data marcaria definitivamente a história no que diz respeito a tudo ligado à Reforma.