Voltaram, então, os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado. Lucas 2.20 (Leia Lucas 2.15-20)
As crianças gostam de brincar com aqueles vidrinhos de solução de sabão que incluem um anel de plástico com um cabo do mesmo material. Mergulhando este anel na solução, elas o agitam no ar para formar um rio de bolhas, bolhas lindas que reluzem as cores refletidas pela luz do sol enquanto voam rapidamente para longe. Mas aquelas lindas bolhas são também muito frágeis. Mesmo que não encontrem nenhum obstáculo ou que sejam levadas um pouco mais longe por um vento mais forte ainda assim elas, aos poucos, vão perdendo força e começam a se desfazer até explodirem no ar. Mesmo assim devem ser apreciadas em sua vida limitada e temporária. A beleza de suas cores faz encher os nossos olhos. Como gostaríamos que elas não se desfizessem. Como crianças chegamos a lamentar o momento em que terminam.
Tentar reter o Natal é tão difícil como tentar paralisar uma dessas bolhas. Isto foi verdade em relação ao primeiro Natal. Os pastores e os magos vieram e se foram. Maria e José embrulharam os seus poucos pertences e seguiram para o sul. O Natal não se tornou estático, no mármore ou no granito, mas esteve durante um dia no mutável espectro da vida. Foi um instante na história.
Não adianta tentarmos, também hoje, esperarmos que só o remontar de “presépios” como denominamos a reprodução daquela cena seja o suficiente para que haja paz entre os homens nos nossos dias. Apenas refazer aquelas cenas é como querer preservar uma pequena bola de sabão.
É bom que cada um de nós desfrute de cada período que nos lembra deste acontecimento as suas bênçãos fazendo-nos mais amorosos em nossos relacionamentos, mais generosos em nossa compreensão, mais dispostos a servir a Deus pelo amparo aos que se encontram em necessidade. Não devemos querer reter o natal. Devemos antes promover meios em que ele fique de fato tão marcado na nossa memória como na nossa mente ficam as cores da bola de sabão.
Não podemos paralisar o Natal e agarrá-lo para sempre. A data passará. Depois de amanhã será dia 26 e a vida continuará. Podemos, porém, permitir que ele nos toque inteira e completamente de modo a mudar nossa vida. O verdadeiro Natal é Cristo nascendo em nossos corações e este não passa e nem muda.