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O papado é algo humano
Rev. Marcos Lins
 

A instituição do papado é fruto de um longo, complicado e polêmico processo histórico. Jamais pode ser entendido como de origem divina. Não tem qualquer fundamento bíblico. É uma invenção humana, resultante da sede de poder, do espírito imperialista de concentração do mando.

Segundo a doutrina católica, o Papa é o sucessor de São Pedro, cabeça da Igreja na Terra, é o Vigário de Cristo e é infalível na qualidade de mestre, isto é, se investe da infalibilidade quando se pronuncia a respeito de temas concernentes à fé.

O erro doutrinário da Igreja Católica Romana começa com a interpretação de que o apóstolo Pedro é a pedra fundamental da Igreja. Tenta basear-se em afirmações de Cristo, registradas em Mateus 16.13-19: " ... Quem diz o povo ser o Filho do homem?

E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros:Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. Mas vós, continuou Ele, quem dizeis que eu sou?

Respondendo Simão Pedro, disse: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Então, Jesus lhe afirmou: "Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus".

Para mim, é óbvio que no texto citado, Cristo se coloca como o Edificador da Igreja e Aquele que lhe assegura o poder de prevalecer contra as portas do inferno. Pedro era um dos apóstolos e, portanto, juntamente, como os demais apóstolos e profetas, todos são considerados como fundamento da família de Deus, da qual o próprio Cristo é a pedra angular (Ef 2.19-22). Assim, creio que Pedro, na ocasião representando os apóstolos, foi considerado por Cristo como pedra, parte do alicerce. Ora, não somente Pedro, mas todos os crentes somos considerados "pedras vivas" na edificação da casa espiritual. No entanto, Cristo é a pedra principal, angular, fUndamento eterno da Sua Igreja (I Pe 2.5-7). Aqueles que querem
dar a Pedro a posição privilegiada de pedrafundamental, devem lembrar-se de que ao querer induzir Cristo a não enfrentar a cruz, ele foi considerado como ''pedra de tropeço".

Não é razoável atribuir a Pedro uma posição especial de liderança no Colégio Apostólico; ele não exerceu qualquer posição de proeminência no chamado Concílio de Jerusalém (Atos 15); tampouco pretendeu assim apresentar-se em suas epístolas; ao contrário, apresenta-se apenas como apóstolo de Jesus Cristo e como um presbítero entre outros (I Pe 1.1-5).

Há historiadores que até duvidam de que Pedro tenha estado em Roma.

O que é certo é que Roma se tomou um centro eclesiástico dos mais importantes desde o primeiro século e os seus bispos passaram a reivindicar sua preeminência, sua liderança e o desejo de gozar de prerrogativas especiais. Segundo o historiador Dr. Alderi Souza de Matos, Leão I é considerado por muitos como "o primeiro papa" de fato, no quinto século. No entanto, o apogeu do papado antigo somente ocorreu no pontificado de Gregório I ou Gregório Magno no fim do século sexto para o começo do sétimo. Ele administrou a Igreja com capacidade de gestão, preparando-a para a defesa contra inimigos, saneando suas finanças e definindo sua organização entre dioceses. Outro papa que se notabilizou foi Gregório VII, no século onze, que se insurgiu contra o comércio de cargos eclesiásticos e outros males que invadiam a Igreja.

A história do papado é, na verdade, cheia de altos e baixos. Houve, também, períodos de sombra e escândalos, marcados por corrupção e imoralidade. Os séculos quatorze e quinze foram períodos de verdadeira desmoralização do papado. Chamado de "o cativeiro babilônico da Igreja", nesse período os papas passaram a viver em Avinhão, no sul da França, por mais de setenta anos, sendo submissos aos reis franceses.

Mesmo assim, em 1870, o Concílio Vaticano I, convocado por Pio IX, exatamente no dia 18 de julho, aprovou o documento "Pastor Aetemus" que estabeleceu o primado do papa sobre toda a Igreja e proclamou sua infalibilidade na doutrina da fé. Foram satisfeitas as ambições políticas de Pio IX.

Nos últimos anos, a Igreja Católica teve um dos mais importantes papas da sua história. Todos hão de reconhecer que João Paulo II era um homem de grande cultura, extraordinária capacidade de comunicação, carismático e que exercia seu papel como grande diplomata, mesmo quando assumia posições doutrinárias retrógradas aos olhos de todos. Lamentamos que apesar de todas as suas qualidades, não foi sensível ao ensino do Novo Testamento sobre a mediação exclusiva de Cristo entre Deus e o homem, manteve-se idólatra e devoto de Maria, a honrada mãe de Jesus.

Agora, o mundo recebe a notícia de que em dois dias o Conclave dos Cardeais elegeu um dos mais próximos auxiliares do Papa morto para sucedê-lo: Bento XVI, o controvertido alemão Joseph Ratzinger, de 78 anos de idade, conhecido como ultraconservador. Até a morte de João Paulo lI, dirigia a Congregação para a Doutrina da Fé, herdeira da "Santa Inquisição".
Assim, por mais de vinte anos foi o responsável pelos dogmas teológicos dentro do Vaticano, sempre tendo apresentado posições radicais, especialmente em assuntos doutrinários, políticos e éticos, dentro de sua visão de que a Igreja se tomou "um barco prestes a afundar".

Como cristãos reformados, de confissão presbiteriana, graças a Deus, não somos súditos desse império, chamado Igreja Católica Romana. O Vigário/substituto de Cristo que conhecemos, Seu enviado, é o Espírito Santo que nos ilumina e guia a toda verdade (Jo 14.16-31).

Mas, como cremos que para Deus não há impossíveis, nossa oração deve ser para que Bento XVI seja utilizado por Deus para realizar uma revolução na Igreja que dirigirá, trazendo-a de volta às verdades cristalinas dos ensinos de Cristo e seus apóstolos, exarados nas páginas do Novo Testamento. Amém.

Cordialmente, em Cristo,
Rev. Marcos Lins

 
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